quinta-feira, 1 de julho de 2010

Crítica dos Filmes: Lua Nova


Segundo filme da série é superior ao anterior, mas muito repetitivo

A Comic-Con deste ano foi marcada pela invasão dos twilighters, os fãs da saga Crepúsculo. Para ver o painel em que os atores da série estariam presentes, teve gente que acampou do lado de fora do Centro de Convenções de San Diego. Um público que causou uma histeria inédita com gritos nunca ouvidos antes na Sala H, acostumada a nerds, mas não a meninas histéricas. Houve até uma brincadeira feita pelo quadrinista, cineasta e humorista Kevin Smith que exaltou o alto nível de hormônios femininos na Sala H (veja aqui por sua própria conta e risco).

Sim, os fãs da série escrita por Stephenie Meyer estão se multiplicando como leucócitos em tempos de gripe suína e graças a eles - e aos 380 milhões de dólares que geraram nas bilheterias mundiais com o Crepúsculo - a Summit teve dinheiro para bancar não apenas o segundo, mas também o terceiro capítulos da série, que foram filmados um em seguida do outro. A Saga Crepúsculo: Lua Nova (Twilight Saga: New Moon, 2009) estreia agora e Eclipse já está programado para junho de 2010.

Sabendo que está falando para um público fanático, o diretor Chris Weitz (que substitui sem deixar saudade a fraca Catherine Hardwicke) não perde tempo com flashbacks. Quando o filme começa, é aniversário de Bella (Kristen Stewart) e a passagem do tempo pesa muito para ela, afinal, seu purpurinado amado Edward (Robert Pattinson) não envelhece. Na festa na casa dos Cullen, Bella sofre um corte de papel e quase é atacada por um dos irmãos. É o início do drama do esbranquiçado Romeu, que percebe o risco que sua Julieta corre ao ficar ao seu lado e decide se afastar. Inventa, então, uma historinha furada que ela não é boa o suficiente para ele e some de Forks, a cidadezinha onde viviam. Não sem antes explicar para ela quem são os Volturi, a realeza de sua raça, e o que eles fazem.

Depois de muitas noites sem dormir e chiliques, a desconsolada menina pouco a pouco volta a viver, mas não esquece Edward, que aparece em forma de visões sempre que ela se coloca em perigo. Ao perceber isso, Bella começa a se atirar em situações arriscadas. Uma delas envolve andar de moto. E é aí que entra Jacob (Taylor Lautner), amigo da família e apaixonado pela moça. Juntos os dois vão reconstruir umas motos, para que ela possa se aventurar sobre duas rodas e assim vislumbrar flashes daquele que dilascerou seu coração. Porém, passar tempo ao lado de Jacob cicatriza o peito da garota, que agora começa a nutrir emoções pelo descendente de índios. Até que leva o segundo pé-na-bunda e a história começa a se repetir - até os não-beijos são iguais! - , desta vez trocando o drama dos vampiros pelo clã dos lobisomens, seus grandes rivais.

O drama novelesco, as atuações exageradamente teatrais (embora já bem melhores do que no filme de estreia) cheias... de... longas... pausas... entre... uma... palavra... e... outra... podem enervar os desavisados, mas é tudo o que querem as menininas de 12 anos (tenham elas a idade real que for). A cada jura barata de amor do tipo "Você é a única coisa que me mantém vivo" dita por Edward ou barriga de tanquinho que aparece, suspiros serão ouvidos nos cinemas. E se prepare, pois eles são tão frequentes quanto as cenas em que a câmera passeia ao redor da Bella, mostrando como ela está perdida - ora em um mundo que não é o dela, ora em seus sonhos, ora entre seus dois amores. Tecnicamente, é um grande avanço em relação ao limitado primeiro capítulo e seu jeitão de telefilme, mas a repetição de cenas como essa ou as contemplativas que visivelmente só estão ali para mostrar as músicas que estão no CD da trilha sonora do filme cansam.

Mas se você é fã, nada disso importa. E é fácil entender o seu "guilty pleasure", desde que você tenha plena consciência que gosta de algo que não é bom, mas mesmo assim lhe dá prazer - como comer aquela pipoca doce do saquinho rosa mesmo sabendo que o verão está aí na porta. Qualquer meninina que está descobrindo sua sexualidade sonharia em ter dois caras sarados brigando por ela, dizendo que a amam e fariam de tudo para protegê-la de todos os perigos até o fim de suas vidas. E nada melhor do que criar um príncipe encantado que, literalmente, já vem brilhando. O sábio Kevin Smith mais uma vez acertou na mosca. De forma grosseira, verdade, mas qualquer um que use óculos certamente vai ficar com eles embaçados depois da última frase do filme. É muita umidade!



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1 comentário

Camila Vázquez disse...

Excelente revisão! Eu gostei muito do trabalho que ele fez Michael Sheen, não importa o projeto, demonstrou seu extraordinário talento. Atualmente, podemos desfrutar de seu trabalho sobre quarta temporada de Masters of Sex , uma série histórica definida na década de 50 demonstramos de forma sexualidade científica. É uma pena que a saga Crepúsculo chegou ao fim, felizmente, ainda podemos ver o elenco em outros projetos que tem certeza de deliciar-nos.

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